#NaNoWriMo

É verdade. O objectivo de escrever 50.000 palavras no mês de Novembro não foi cumprido.

Devo ter escrito à volta de 6000. Pouco mais de um décimo da meta. Certo que me escudei vários dias no sofrimento do pós-operatório, mas tive o resto do mês para por a escrita em prática.

Chego à conclusão que preciso do tempo certo, para a coisa certa. Tenho escrito todos os dias, mas sobre temas diferentes. Ideias, posts aqui no blog, críticas a séries, livros e bd’s. Nalguns dias, abro o projecto do livro e escrevinho mais algumas palavras. A ideia não morreu, vai é com um ritmo diferente.

Apresentação ::: As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal

aventuraspessoa.jpg

Só soube há pouco desta apresentação de uma banda desenhada sobre Fernando Pessoa. Consta que é uma aventura sobre a vida do escritor português e é apresentado amanhã na livraria Almedina do Saldanha, às 18:30.

Livro ::: Brave New World, Aldous Huxley (8/10)

Ora antes de ser operado, comecei a preparar uma boa lista de livros para por a minha leitura em dia. Sempre tive a pancada de livros de ficção científica ou literatura fantástica, e como são essas as histórias que me prendem, procurei entre família e amigos alguns títulos que ainda não tivesse lido.

Surpresa das surpresas, a S, que partilha comigo o apartamento, tinha na sua biblioteca um clássico que já tinha ouvido falar, mas que conhecia pouco sobre ele. Depois de lhe perguntar se ela tinha algum livro de ficção científica, ou de distopias, ela prontamente me passou o Brave New World, do Aldous Huxley.

Antes  de o ler, como o título me era bastante familiar, fiz alguma pesquisa. Escrito em 1931 e publicado em 1932, é considerado um dos primeiros livros sobre distopias, ou seja, sobre realidades futuras negativas ou deformadas. A origem do termo vem de utopia, um lugar ou realidade inatingível; uma distopia é um lugar (topos) mau ou disfuncional (dys).

Não estamos a falar de romance guiado pelo conflito. A narrativa é muito simples, directa e evolui a passo lento. Contudo, são as personagens (e a realidade onde a história se desenrola é uma das mais fortes) que nos guiam. No ano de A.F. 632, um registo de passagem do tempo que começa a partir da invenção do primeiro modelo de carros da Ford, somos introduzidos a uma humanidade que não se reproduz, é criada dentro de tubos de ensaio em laboratórios; é educada pela repetição de chavões através de hypnopaedia (aprendizagem durante o sono) , desprovida de ligações familiares e afectivas e dividida em classes/castas. O conceito de produção de massa do fordismo é aplicado a todo o tecido social; as várias classes servem os vários propósitos laborais, sendo que as castas mais baixas servem, como expectável, as mais altas.

Não querendo entrar em sumarização ou resumo da narrativa, importa relevar que o interessante do livro são as personagens, a forma como elas se relacionam dentro deste universo de produção em massa. Também interessante, é a forma como a sociedade se consegue manter nesta ignorância: através de uma droga aprovada pelo estado, a soma. Com este estupfaciente, as pessoas perdem o espirito naturalmente inquisidor do ser humano, perdem a necessidade de ligações emocionais e deixam-se, ébrias, simplesmente existir sem preocupações.

Em suma, ou soma se ainda estivermos com a cabeça dentro do universo de Huxley, estamos perante um romance que apresenta uma metáfora interessante: a sociedade que nos é apresentada é uma possível solução dentro do equilíbrio entre a verdade e a felicidade. Isto é, a sociedade e respectiva organização assentam na premissa de se viver feliz, mas ignorante do que nos rodeia. A verdade é preterida pela ilusão e sensação de bem-estar, livre de sofrimento e problemas. O actual mundo ocidental rege-se pelo contrário: a crueza da verdade, de facto, impede-nos de sermos verdadeiramente felizes. Será? Pelas questões que levanta, pela originalidade e relevância do universo criado, dou 8 a este livro!

 

Brave New World
Capa do Brave New World, de Aldous Huxley

NaNoWriMo – Aqui vamos nós!

É oficial. Este ano vou participar pela primeira no NaNoWriMo.

Acho que foi em 2011 que tomei conhecimento deste movimento literário que faz com que centenas de milhar de pessoas de todo o mundo se reúnam com o intuito de escrever 50.000 palavras durante o mês de Novembro. Ou seja, 30 dias. Por dia são necessárias uma média de 1667 palavras para que o desafio seja atingido. E acho mesmo que esta é uma excelente maneira de motivar e incentivar todos os aspirantes a escritores a iniciaram-se pela primeira vez neste tipo de aventura literária.

Sempre gostei de escrever. Aliás, sempre foi uma grande paixão. Mas a minha preguiça interior aliada ao meu inner editor (um termo com que me cruzei recentemente) sempre fizeram com que não passasse da segunda página das minhas histórias. Aonde sempre fui mais profícuo foi no mundo da blogosfera e na poesia. Coisa mais imediatas, mais sintéticas mas igualmente trabalhosas. Depois durante a minha licenciatura em Cinema, desenvolvi um enorme gosto pela escrita de guiões e pela linguagem pictórica do mundo audiovisual. O show, don’t tell foi-me incutido e acho que isso se nota no meu tipo de escrita literária.

Mas não me querendo afastar muito mais do tema principal, este ano preparei o meu enredo, o meu conflito, as minhas personagens e delineei a estrutura da minha historia. Tudo pronto para daqui a escassos minutos entrar de cabeça no primeiro esboço do meu primeiro livro.

A ideia inicial era escrever sobre ficção científica. Sabem que gosto bastante do tema e de distopias. Porém, acabei por concordar comigo mesmo no que diz respeito a não escrever sobre o que não domino totalmente. E optei por escrever sobre aquilo que conheço melhor que é o mundo actual com os seus dissabores e conflitos diários. A história é baseada num amigo, que conheci na adolescência, num período difícil de ambas as nossas vidas. Feliz ou infelizmente, as nossas vidas tomaram rumos muitos diferentes e a dele não correu pelo melhor. Assim, tomei a liberdade de fantasiar uma série de situações sobre a vida dele e um novo personagem nasceu, completamente diferente, e deu vida a uma narrativa que me atrai bastante.

Assim sendo, vou comentando aqui no blog como está a correr esta maluqueira e a ver se consigo o objectivo de 50.000 palavras no final do mês de Novembro. Espero até fazer um figuraço e acabar alguns dias antes.