Alguns benefícios de uma prática nem sempre regular de mindfulness.

brain

Chegou com a força da máquina do marketing e começou a conquistar muitos adeptos, independentemente da sua origem ou classe. A atenção plena, vulgo, mindfulness, é um conceito já milenar. Todos reconhecemos a palavra meditação. Há alguns anos, na minha mente, meditar não passava mais do que um estado de concentração apenas alcançável por veneráveis mestres asiáticos e alguns caucasianos aprendizes hippies. Mas para quem acompanha o blog, a meditação veio a tornar-se uma parte muito importante da minha vida. Apesar de ter passado por algumas fases de intermitência, acabei por conseguir ir meditando e aprofundando o meu conhecimento sobre o assunto. Mais do que isso, com o passar dos meses, notei algumas diferenças significativas:

  • Maior concentração no trabalho; mais focada e duradoura.
  • Melhor gestão das emoções; consciência do seu surgimento e consequências.
  • Menos stress; uma melhoria da calma interior e da relativização dos problemas.

Isto prova que a meditação é uma prática cujos benefícios engrandecem proporcionalmente à frequência da prática meditativa. Com os meses a passar, a meditação quando é mais constante permite-nos ter mais calma no pensamento, nas emoções e na sua gestão. Não estou aqui a dizer que com isto me tornei num eminente sábio; pelo contrário, com humildade, afirmo que as mudanças são pequenas e lentas. Mas o que me interessa é que são mudanças.

Anúncios

É importante respirar.

É importante respirar.

Há dias em que tudo parece querer testar a nossa paciência – muitas vezes escassa.

Os dias de trabalho conseguem ser longos. Podem até passar rápido, mas aquela sensação de cansaço e frustração que nos pesa no corpo, tira o apetite ou vontade de fazer qualquer outra coisa teima em querer adormecer connosco.

Respirar é importante.

Parar. Sentir que o dia tem um fim; que temos para onde regressar. Seja em casa, num café com um amigo, uma esplanada cheia de sol. Não deixar a nossa mente vaguear entre um passado inalterável e um futuro impossível de ver. Dar importância; dar atenção.

Estar-se em atenção plena (mindful) é um estado; pode ser meditativo, pode ser de simples contemplação. Mas vivemos distraídos. Passe a redundância, somos inconscientes do nosso piloto-automático; mais, somos reféns. Lembra-se das sensações do percurso matinal para o trabalho? De como reagiu às suas tarefas diárias?

Regra geral, não saboreamos o momento presente. Estamos a lavar a loiça a pensar na roupa que vamos estender a seguir. A enviar um e-mail enquanto preparamos os próximos ficheiros. Este multitasking trás consequências; aos poucos, vamos perdendo poder de concentração. E vamos perdendo atenção e seguimos quase sempre em modo automático. Rotinas e repetições que nos vão cansando.

É importante respirar.

Demasiada consciência mata a acção?

Esta semana tem-me corrido bastante mal. Sinto-me desconfortável, irritadiço, ansioso. Há semanas assim.

Nunca fui de queixumes. Nem é esse o propósito deste post. Mas resolvi reflectir sobre o que estou a sentir e o que me está, de certa forma, a prender.

Só consegui meditar na segunda-feira. Ontem e hoje acordei frustrado, cansado, desmotivado para o dia. A minha criança interior é perita em descobrir maneiras de me convencer a não fazer certas rotinas. O despertador tocou e não fui capaz de me sentar 10 minutos. Porquê? Penso que será por ter a cabeça a mil com assuntos profissionais, aquela sensação na barriga de querer que a jornada de trabalho acabe. Não sou infeliz no trabalho, pelo contrário: faço o que gosto, com excelentes pessoas. Haverá uma ou outra coisa que dispensava, mas ao fim ao cabo, gosto do que faço. Mas esta semana foi stressante e desorganizada, e nestas alturas não consigo dissociar a vida profissional da vida pessoal. Desvantagens de trabalhar em publicidade.

A nossa mente realmente prega-nos partidas. Eu sei (e costumo sentir) que a meditação me transmite uma paz interior, uma melhor organização mental. E numa semana em que as coisas no trabalho não correm sobre rodas, mas sim sobre pedras, a falta da meditação fez toda a diferença. À medida que escrevo estas palavras começo a sorrir. Talvez por saber que umas das soluções para o meu problema poderá passar por me sentar 10 minutos e focar-me apenas na respiração. Sempre tive a tendência de racionalizar em demasia as minhas acções, sensações e intenções. Há muitos anos li uma frase escrita numa parede ao pé da minha faculdade que dizia: demasiada consciência mata a acção. Na altura discordei, porque sou adepto de acções em plena consciência. Mas também sei que o pensar demais poderá procrastinar qualquer tipo de acção por um tempo indefinido – para não dizer infinito.

Claro que a mudança de hábitos também pode ser prejudicial. O simples facto de não ter meditado pode ter agravado a forma como processei certos eventos. Pode não, quase de certeza que agravou. Ou se calhar foi só um dia mau.

Tenho a cabeça cheia. E nada melhor que a meditação para acalmar o assombro de pensamentos.

Meditação Zazen

Zazen é uma prática de meditação do Budismo Zen.

Consiste na postura física, tempos de respiração e esvaziamento da mente durante um periodo de tempo. Como já aqui falei, este foco na respiração permite ir acalmando o corpo e a mente de modo a deixarmos de lado a torrente de pensamentos que nos surge a cada momento. Seleccionei um vídeo de mestre zen japonês (legendado em Inglês) que ilustra um pouco melhor os fundamentos desta prática.

 

Postura

Devemos estar sentados, ligeiramente elevados por uma almofada e com as pernas cruzadas em lótus completo ou meio lótus. A altura fornecida pela almofada permite ter a coluna direita, hirta e alinhada desde o centro até ao topo da cabeça. De queixo ligeiramente recolhido, devemos focar o nosso olhar cerca de um metro à frente da ponta do nariz. Desta forma, ficaremos alinhados e direitos, com a coroa da cabeça a apontar para o tecto.

Respiração

As inspirações e expirações devem ser lentas e profundas. Devem, igualmente, ter durações semelhantes, intervaladas por pequenos instantes que separam claramente a inspiração da expiração. Para os principiantes, a contagem das respirações até 10 ajuda no relaxamento e no foco da mente no nosso corpo. Enquanto contamos, dirigimos a nossa concentração para o nosso corpo e evitamos, desta forma, o descontrolo mental e o assoberbamento de pensamentos. Chegados ao 10, retomamos a contagem do início, para que não se altere o foco do nosso corpo para a quantidade da contagem.

Duração

Dificilmente conseguiríamos ficar sentados na mesma postura, atentos à própria respiração, por períodos demasiado longos no início da nossa prática. Esta habituação à postura e respiração pode demorar o seu tempo (anos) até se conseguirem atingir os patamares de várias horas em meditação. Eu não pratico esta forma de meditação diariamente, mas algumas técnicas são semelhantes. E eu demorei cerca de três meses a ultrapassar a barreira dos 10 minutos. Comecei com 2 minutos, depois 5, depois 7. Hoje, consigo meditar regularmente 15 a 20 minutos.