Livro ::: Saga Vol.1. de Brian K. Vaughan

Okay. Vamos falar sobre uma graphic novel que em cerca de 140 páginas consegue uma densidade e maturidade invejáveis a muitos romances.

saga

Saga – Vol. 1 – é o primeiro de cinco volumes publicados até à data que retratam um universo futurista e espacial onde as raças do planeta Landfall e do seu satélite lunar Wreath têm vindo a arrastar vários planetas para uma guerra infindável. Neste cenário, é-nos apresentado o casal; Alana, uma Landfallian, conhecidos pelas suas asas pequenas e Marko, um Wreathiano, humanóide com cornos que fazem lembrar o tronco de um minotauro, durante o parto da sua recém-nascida Hazel.

Claro está que estes “Romeu e Julieta” vão deparar-se com um sem número de problemas por viverem um amor quase que proibido e, ainda para mais, por terem cruzado, através da filha Hazel, duas raças tão antitéticas. É com esta premissa que acompanhamos a fuga do casal ao longo deste primeiro volume.

Os desenhos e as descrições culturais das personagens são fantásticos. Em poucas páginas, absorvemos uma densidade narrativa fortíssima e, curiosamente, muito humana. Os sentimentos e ligações afectivas são muito humanóides mas não provocam estranheza, nem nos retiram de contexto durante a leitura. Mas o traço, a escolha e combinações de várias cores, conferem uma energia específica a cada personagem. E esse cuidado no desenho e cor contribuí para o enriquecimento narrativo.

Esta não é uma graphic novel para crianças. Descreve situações e histórias difíceis, umas até bem terríveis, e consegue afirmar-se plena de maturidade, apesar de se desenrolar numa universo de ficção especulativa. Houve momentos na leitura em que quase esquecia que estava no domínio da fantasia. Há humanidade nas personagens, mas o q.b. para nos fazer apaixonar pelo feitio. Mal posso esperar para ler o segundo volume!

 

 

Anúncios

Ida à BDMania!

Hoje fui à Baixa-Chiado beber um café com um amigo e aproveitei e passei na BD Mania. Perdi a cabeça e comprei duas graphic novels: Saga, Vol 1 (que já queria comprar há algum tempo) e Suiciders do Lee Bermejo.

Já tinha na minha wishlist da Amazon o primeiro volume da série Saga. Foi publicado em 2012 e, em Setembro deste ano, foi publicado o quinto volume da série. Li boas críticas e algures na internet encontrei-o listado como uma das melhores graphic novels de 2015. Quando vi as primeiras páginas (ainda na opção de preview da Amazon) fiquei imediatamente interessado: o estilo fez-me lembrar o Y: The Last Man, uma série que acompanhei em parte há alguns anos e gostei bastante. Não foi coincidência pois vim a descobrir que fora escrita pelo mesmo autor: Brian K. Vaughan.

saga.png

Li o primeiro volume em pouco mais de uma hora. A narrativa é super cativante, num mundo futurista; uma das críticas que li falava numa mistura entre Star Wars e Game Of Thrones. Acho que não tem nada a ver em termos narrativos, mas o meandro de personagens é igualmente diverso e interessante. Fiquei agarradíssimo à história e estou já salivar pelos próximos quatro volumes entretanto publicados! Algures durante a semana deixo aqui uma review à BD.

Suiciders_Vol_1_1.jpg

A outra obra que comprei, e desta vez o primeiro volume (compilação das seis primeiras histórias até agora publicadas) da série Suiciders do Lee Bremejo. Um ilustrador/designer meu amigo, e com quem por vezes partilho a cantina de almoço, recomendou-me a obra deste senhor e apenas sugeriu que o “googlasse”. Fiquei siderado com a arte do ilustrador e super interessado nas suas intervenções em distintos universos narrativos: desde Watchmen, a séries sobre personagens bem conhecidas como Joker e Lex Luthor. Já li algumas páginas, estou apaixonado pela arte final e pelo mundo distópico aonde decorre a narrativa, e assim que o ler deixo aqui a minha crítica!

Quando boas iniciativas permitem colher frutos ainda melhores.

Na passada Quinta-feira fui, tal como tinha aqui anunciado, aproveitei trabalhar no Saldanha e dei um salto até à livraria Almedina para a apresentação de uma banda desenhada de Fernando Pessoa.

Quando lá cheguei, vi algumas crianças acompanhadas por graúdos e, após o primeiro vislumbre do livro de banda desenhada e respectivos traços, pensei que se tratava de um conteúdo infantil e que tinha ido ao engano. Quase que me fui embora. Mas ainda bem que fiquei para os primeiros minutos da apresentação feita por Rui Tavares – historiador, escritor, blogger e político – e Ricardo Belo de Morais, um pessoano ligado há mais de 30 anos à obra do poeta e parte integrante da equipa de museologia e património da Casa Fernando Pessoa.

O que ao início me parece um traço infantil ou, nas palavras de Rui Tavares, pueril, revelou ser muito mais maduro, complexo e, essencialmente, fidedigno, à vida e obra de Pessoa. Não houve uma preocupação de ofuscar a obra com a arte e desenho dos autores; pelo contrário, sem se deixarem intimidar pelo universo do poeta, Manuel Moreira e Catarina Verdier conseguiram criar uma obra singular que reflecte muito bem o percurso de vida do Pessoa, pontuando essas vivências com poemas escritos na altura pelos heterónimos que foi criando à medida do crescimento. Ainda não o acabei, mas tenciono escrever aqui no blog uma análise.

No entanto, gostava de aprofundar um pouco mais a presença do Rui Tavares na apresentação do livro. Penso que em 2010, no seu blog, Rui Tavares anunciou que gostaria de atribuir parte do seu ordenado de eurodeputado em forma de bolsa. Para isso criou um concurso onde várias pessoas pudessem enviar as suas propostas e projectos. Três dos quatro Gato Fedorento (Ricardo Araújo Pereira, Miguel Góis e José Diogo Quintela) também acharam a ideia interessante e juntaram-se à iniciativa. Assim, puderam atribuir 7 bolsas com duração aproximada de um ano. Este tipo de altruísmo, ainda para mais numa altura em que a crise se encontrava agudizada em Portugal, não me passou despercebido e na altura achei que, infelizmente, haviam poucas iniciativas destas.

Os autores do banda desenhada das Aventuras de Fernando Pessoa – Escritor Universal foram um dos 7 projectos apoiados e, graças a este apoio, o que era uma ideia flutuante no éter, concretizou-se. Convém relevar que este livro estava já em curso desde 2004, mas a bolsa permitiu uma maior entrega e durante mais tempo a um projecto trabalhoso e artesanal (desenhado na íntegra à mão, sem recurso a tecnologia, onde inclusivamente a tipografia é manual, ou seja, desenhada).

Livros que nos mudam

Já me aconteceu mais que uma vez.

Li o Uma Casa na Escuridão, do José Luís Peixoto no início do primeiro namoro arrebatador. E fez-me ver o Amor com outros olhos.

Quando a minha mãe morreu, li o Intermitências da Morte, do José Saramago. E ri-me às gargalhadas com uma maneira única de olhar a morte.

O meu melhor amigo ofereceu-me o Sidarta, de Herman Hesse. E comecei a ver a vida como a simplicidade que ela é quando o Homem não a tenta enquadrar num qualquer esquema mental ou ideológico.

Somos o produto daquilo que vivemos e, como tal, também somos aquilo que lemos.

 

Apresentação ::: As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal

aventuraspessoa.jpg

Só soube há pouco desta apresentação de uma banda desenhada sobre Fernando Pessoa. Consta que é uma aventura sobre a vida do escritor português e é apresentado amanhã na livraria Almedina do Saldanha, às 18:30.