Livro ::: Brave New World, Aldous Huxley (8/10)

Ora antes de ser operado, comecei a preparar uma boa lista de livros para por a minha leitura em dia. Sempre tive a pancada de livros de ficção científica ou literatura fantástica, e como são essas as histórias que me prendem, procurei entre família e amigos alguns títulos que ainda não tivesse lido.

Surpresa das surpresas, a S, que partilha comigo o apartamento, tinha na sua biblioteca um clássico que já tinha ouvido falar, mas que conhecia pouco sobre ele. Depois de lhe perguntar se ela tinha algum livro de ficção científica, ou de distopias, ela prontamente me passou o Brave New World, do Aldous Huxley.

Antes  de o ler, como o título me era bastante familiar, fiz alguma pesquisa. Escrito em 1931 e publicado em 1932, é considerado um dos primeiros livros sobre distopias, ou seja, sobre realidades futuras negativas ou deformadas. A origem do termo vem de utopia, um lugar ou realidade inatingível; uma distopia é um lugar (topos) mau ou disfuncional (dys).

Não estamos a falar de romance guiado pelo conflito. A narrativa é muito simples, directa e evolui a passo lento. Contudo, são as personagens (e a realidade onde a história se desenrola é uma das mais fortes) que nos guiam. No ano de A.F. 632, um registo de passagem do tempo que começa a partir da invenção do primeiro modelo de carros da Ford, somos introduzidos a uma humanidade que não se reproduz, é criada dentro de tubos de ensaio em laboratórios; é educada pela repetição de chavões através de hypnopaedia (aprendizagem durante o sono) , desprovida de ligações familiares e afectivas e dividida em classes/castas. O conceito de produção de massa do fordismo é aplicado a todo o tecido social; as várias classes servem os vários propósitos laborais, sendo que as castas mais baixas servem, como expectável, as mais altas.

Não querendo entrar em sumarização ou resumo da narrativa, importa relevar que o interessante do livro são as personagens, a forma como elas se relacionam dentro deste universo de produção em massa. Também interessante, é a forma como a sociedade se consegue manter nesta ignorância: através de uma droga aprovada pelo estado, a soma. Com este estupfaciente, as pessoas perdem o espirito naturalmente inquisidor do ser humano, perdem a necessidade de ligações emocionais e deixam-se, ébrias, simplesmente existir sem preocupações.

Em suma, ou soma se ainda estivermos com a cabeça dentro do universo de Huxley, estamos perante um romance que apresenta uma metáfora interessante: a sociedade que nos é apresentada é uma possível solução dentro do equilíbrio entre a verdade e a felicidade. Isto é, a sociedade e respectiva organização assentam na premissa de se viver feliz, mas ignorante do que nos rodeia. A verdade é preterida pela ilusão e sensação de bem-estar, livre de sofrimento e problemas. O actual mundo ocidental rege-se pelo contrário: a crueza da verdade, de facto, impede-nos de sermos verdadeiramente felizes. Será? Pelas questões que levanta, pela originalidade e relevância do universo criado, dou 8 a este livro!

 

Brave New World
Capa do Brave New World, de Aldous Huxley
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