Cartas & Girassóis

A semana passada descobri um blog muito interessante chamado Chá & Girassóis.

É de uma escrita madura, de alguém com a cabeça bem assente nos ombros, e com a genuinidade típica dos 21 anos da autora Mariana Neves.

Ela levou (ou ainda leva, não consegui perceber muito bem) um projecto avante chamado Cartas Cruzadas, aonde se propunha a enviar cartas e começar uma troca de correspondência com um perfeito desconhecido. De qualquer idade e sexo. À medida que ia lendo os posts sobre estas cartas, não deixei de ficar nostálgico com as cartas que escrevi (sim, nem sempre existiu internet na minha vida) e que recebi – sempre com um sorriso rasgado, porque continham nelas um universo de saudades e amizade e sentimentos que nunca consegui replicar num e-mail. E a escrita manual, com a sua lentidão muito específica a acompanhar o nosso pensamento a criar uma singularidade.

Não fiquei indiferente à ideia/projecto. E imaginei-me a escrever uma carta à Mariana e a receber outra de volta – como no 5º e 6º ano escrevi a uma pen friend sueca que a minha professora de inglês tratou de arranjar – e na magia que é ler e partilhar palavras num papel destinado a uma só pessoa. Mas, de repente, lembrei-me. Porquê escrever primeiro à Mariana, se tenho pessoas na minha vida em que uma carta faria todo o sentido? Adiei a minha primeira carta à Mariana para outra altura e fui buscar o meu caderno de folhas pautadas (uma espécie de diário que me acompanha há já mais de 10 anos) e deixei-o bem visivel na minha secretária. Na manhã seguinte, iria escrever uma carta.

Acordei. Fiz a minha rotina matinal. E em vez de ler ou escrever nos locais habituais, sentei-me na mesa da sala e comecei a escrever a um dos meus melhores amigo, o L. Primeiro ri-me. Porque podia escrever mais rápido e em tempo real no Messenger, ou Whats Up. Ou porque podia, simplesmente, enviar-lhe um e-mail. Depois pensei que realmente tenho saudades da nossa proximidade, da amizade diária. E que raramente me predisponho a estar nos chats. E o L. também não. Os e-mails hoje em dia são tão impessoais que seria uma mensagem processada. Ao invés de lida e interpretada. E uma carta, é sempre uma maneira de pausar o pensamento e partilhá-lo. Como numa conversa, cara-a-cara.

E escrevi uma carta que me fez organizar o pensamento. Ter bem assentes todas as dúvidas, incertezas e inseguranças. E escrevi com saudade – num ecrã é mais difícil sentir. O papel, pelo contrário, às vezes sente em demasia. E soube-me bem escrever a carta e estar, agora, à espera de uma resposta. Se não chegar, soube-me bem escrever na mesma. Aqui, compreendi a pancada da Mariana pelas cartas.

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2 thoughts on “Cartas & Girassóis”

  1. Trataremos sim senhor! Fico contente que tenhas gostado do blog 🙂 também sigo o teu há pouco tempo mas adorei! E falaremos de chás também, essa sim é uma panca!

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