Ashtanga Yoga

imagem retirada de www.taranayoga.com
imagem retirada de http://www.taranayoga.com

O Yoga começa a ser uma parte que faz cada vez maissentido nesta fase da minha vida.

E tenho vindo a descobrir blogs muito interessantes, como desta professora de yoga que partilhou um post sobre um diário de prática de yoga. Ela citou a fonte e eu acabei por encontrar o pdf online do livro Essence of Yoga de Sivananda.

Sei que as várias tradições da prática de yoga variam consoante as evoluções demográficas e geográficas, mas até ao momento tenho estado a sentir que se trata de um compêndio –  muito prático – para um entendimento maior da teoria do yoga.

Pelo menos, consegui compreender melhor alguns conceitos. Permitam-me sintetizar aqui alguns com uma citação do livro.

Raja Yoga is an exact science. It aims at controlling all thought-waves or mental modifications. It concerns with the mind, its purification and control. Hence it is called Raja Yoga, i.e., king of all Yogas. It is otherwise known as Ashtanga Yoga i.e., Yoga with eight limbs.

The eight limbs of Ashtanga Yoga are: Yama (self-restraint), Niyama (religious observances), Asana (posture), Pranayama (restraint of breath), Pratyahara (abstraction of senses), Dharana (concentration), Dhyana (meditation) and Samadhi (super-conscious state). Yama is practice of Ahimsa (non-injury), Satya (truthfulness), Asteya (non-stealing), Brahmacharya (celibacy) and Aparigraha (non-covetousness) in thought, word and deed. This is the foundation of Yoga. Niyama is observance of the five canons viz., Saucha (internal and external purity), Santosha (contentment), Tapas (austerity). Svadhyaya (study of religious books and repetition of Mantras) and Ishvara-Pranidhana (worship of God and self-surrender). Cultivate Maitri (friendship with equals), Karuna (mercy towards inferiors), Mudita (complaisancy towards superiors), Upeksha (indifference towards wicked people). You can eradicate jealousy and hatred and attain peace of mind. Ascend the ladder of Yoga patiently through its different rungs and attain the highest summit of the ladder, i.e., Asamprajnata Samadhi, wherein all Samskaras (impressions) which bring about successive births are absolutely fried up.

Raja Yoga ou Ashtanga Yoga é considerado o rei de todos os Yogas. É composto por oito membros:

  • Yama
  • Niyama
  • Asana
  • Pranayama
  • Pratyahara
  • Dharana
  • Dhyana
  • Samadhi

Concebo estes membros como degraus. O último, Samadhi, é o estado de iluminação e conivência com Tudo. É o estado Zen, é o conhecimento de Buda. Cada um deles possui um significado próprio. É o que me atrai na prática de yoga. É uma conexão com uma espécie de espiritualidade – no sentido de experiência, já que não sou muito dado a religiões. Sou novato ainda. Mas verdade seja dita, ainda não saí uma única vez da aula de yoga sem um sorriso na cara, a sentir cada centímetro do meu corpo relaxado.

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Demasiada consciência mata a acção?

Esta semana tem-me corrido bastante mal. Sinto-me desconfortável, irritadiço, ansioso. Há semanas assim.

Nunca fui de queixumes. Nem é esse o propósito deste post. Mas resolvi reflectir sobre o que estou a sentir e o que me está, de certa forma, a prender.

Só consegui meditar na segunda-feira. Ontem e hoje acordei frustrado, cansado, desmotivado para o dia. A minha criança interior é perita em descobrir maneiras de me convencer a não fazer certas rotinas. O despertador tocou e não fui capaz de me sentar 10 minutos. Porquê? Penso que será por ter a cabeça a mil com assuntos profissionais, aquela sensação na barriga de querer que a jornada de trabalho acabe. Não sou infeliz no trabalho, pelo contrário: faço o que gosto, com excelentes pessoas. Haverá uma ou outra coisa que dispensava, mas ao fim ao cabo, gosto do que faço. Mas esta semana foi stressante e desorganizada, e nestas alturas não consigo dissociar a vida profissional da vida pessoal. Desvantagens de trabalhar em publicidade.

A nossa mente realmente prega-nos partidas. Eu sei (e costumo sentir) que a meditação me transmite uma paz interior, uma melhor organização mental. E numa semana em que as coisas no trabalho não correm sobre rodas, mas sim sobre pedras, a falta da meditação fez toda a diferença. À medida que escrevo estas palavras começo a sorrir. Talvez por saber que umas das soluções para o meu problema poderá passar por me sentar 10 minutos e focar-me apenas na respiração. Sempre tive a tendência de racionalizar em demasia as minhas acções, sensações e intenções. Há muitos anos li uma frase escrita numa parede ao pé da minha faculdade que dizia: demasiada consciência mata a acção. Na altura discordei, porque sou adepto de acções em plena consciência. Mas também sei que o pensar demais poderá procrastinar qualquer tipo de acção por um tempo indefinido – para não dizer infinito.

Claro que a mudança de hábitos também pode ser prejudicial. O simples facto de não ter meditado pode ter agravado a forma como processei certos eventos. Pode não, quase de certeza que agravou. Ou se calhar foi só um dia mau.

Tenho a cabeça cheia. E nada melhor que a meditação para acalmar o assombro de pensamentos.

Consciência Plena no dia-a-dia

Li um excerto fascinante no blog Não Pensar em Nada sobre apreciação do acto de mastigar. É uma forma de consciência do nosso corpo e respectivos processos que fazemos todos os dias, quase sempre em piloto automático.

A consciência dos meus actos é coisa rara no meu dia-a-dia. São raros os momentos em que me lembro de saborear a acção de quando como, quando lavo as mãos, quando conduzo, quando preparo um chá. Não se trata de prestar atenção ao momento, mas sim de o saborear. E quando o saboreio, a existência das coisas faz sentido. Como se entendesse o propósito da água a escaldar a envolver um pacote de chá, de sentir o volante nas minhas mãos ou a comida a ser mastigada e sentir cada um dos diferentes sabores. Tentar aplicar isto a todos os momentos da nossa vida é, a meu ver, meio caminho andado para a felicidade.

Falar é fácil. Sou imperfeito, como todos. Tenho ímpetos que não controlo, teimosias que desconheço, mau feitio quase bipolar. O que significa que muitas vezes não consigo racionalizar – a tempo – antes de agir. Nisto a meditação, o yoga e a sua filosofia, contribuem para eu ter mais consciência da minha mente. De modo a pensar nas situações, nas sensações adjacentes e reflectir antes de agir. Mas ter consciência plena todos os dias no maior número de acções é uma meta. Conhece-te a ti mesmo, certo?

Meditação Zazen

Zazen é uma prática de meditação do Budismo Zen.

Consiste na postura física, tempos de respiração e esvaziamento da mente durante um periodo de tempo. Como já aqui falei, este foco na respiração permite ir acalmando o corpo e a mente de modo a deixarmos de lado a torrente de pensamentos que nos surge a cada momento. Seleccionei um vídeo de mestre zen japonês (legendado em Inglês) que ilustra um pouco melhor os fundamentos desta prática.

 

Postura

Devemos estar sentados, ligeiramente elevados por uma almofada e com as pernas cruzadas em lótus completo ou meio lótus. A altura fornecida pela almofada permite ter a coluna direita, hirta e alinhada desde o centro até ao topo da cabeça. De queixo ligeiramente recolhido, devemos focar o nosso olhar cerca de um metro à frente da ponta do nariz. Desta forma, ficaremos alinhados e direitos, com a coroa da cabeça a apontar para o tecto.

Respiração

As inspirações e expirações devem ser lentas e profundas. Devem, igualmente, ter durações semelhantes, intervaladas por pequenos instantes que separam claramente a inspiração da expiração. Para os principiantes, a contagem das respirações até 10 ajuda no relaxamento e no foco da mente no nosso corpo. Enquanto contamos, dirigimos a nossa concentração para o nosso corpo e evitamos, desta forma, o descontrolo mental e o assoberbamento de pensamentos. Chegados ao 10, retomamos a contagem do início, para que não se altere o foco do nosso corpo para a quantidade da contagem.

Duração

Dificilmente conseguiríamos ficar sentados na mesma postura, atentos à própria respiração, por períodos demasiado longos no início da nossa prática. Esta habituação à postura e respiração pode demorar o seu tempo (anos) até se conseguirem atingir os patamares de várias horas em meditação. Eu não pratico esta forma de meditação diariamente, mas algumas técnicas são semelhantes. E eu demorei cerca de três meses a ultrapassar a barreira dos 10 minutos. Comecei com 2 minutos, depois 5, depois 7. Hoje, consigo meditar regularmente 15 a 20 minutos.

 

Livro ::: Galveias de José Luís Peixoto

Galveias, de José Luís Peixoto
Galveias, de José Luís Peixoto

Acabei ontem de ler o livro “Galveias” de José Luís Peixoto. É um dos meus autores preferidos e foi-me dado a conhecer em 2003 por uma ex-namorada. O primeiro livro que li dele foi “Uma Casa na Escuridão” e foi amor à primeira leitura. Desde então tratei de comprar as obras anteriores e tudo o que foi sendo editado até ao dia de hoje.

Sempre li os livros deste autor de rajada. Numa semana, independentemente do número de páginas, conseguia ler qualquer obra, sôfrego pelo desfecho. Desta vez, tive o livro em minha posse desde Novembro e só o acabei agora. Fui lendo aos bocadinhos, demasiado espaçados, que me obrigavam a reler sempre demasiadas páginas já lidas. Não porque me custasse, ou porque não estava a gostar do que lia. Mas porque estava numa daquelas fases em que a literatura, o jogo das palavras, e as narrativas me saturavam. E entretanto, livro lido.

Fiquei logo fascinado com o título, que anunciava o tema ou o ambiente narrativo. Galveias, povoação no Alto Alentejo, é-me familiar. É vizinha da aldeia aonde os meus pais têm uma casinha modesta: Cabeção. Conheço bem os maneirismos dos miúdos e graúdos daquela zona. E são tão bem retratados na obra que dei por mim a sentir o cheiro daquela zona em pleno Agosto. Um cheiro cheio de histórias.

A escrita de Peixoto, muito igual a si mesma, com um vagar poético, é deliciosa. Vai-nos apresentado as pessoas de uma Galveias dos anos 80, antiga na sua forma e conteúdo. Com as respectivas histórias, vamos conhecendo a Zefa do Camilo, o João Paulo das motas, o Funesto e o Dr. Matta Figueira. Tão diferentes entre si, mas iguais na carne diegética que os constitui. E ficamos a conhecer, pouco a pouco, Galveias, com todos os seus defeitos e virtudes.

Apesar da demora na leitura, recomendo este livro. Para encerrar este Inverno com um pouco do calor alentejano e recordar o que era a Portugalidade no interior do território.